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Matemático português, natural de Alcácer do Sal. Pedro Nunes era de ascendência judaica e fez os seus estudos em artes, medicina e matemática, de 1520 a 1526, ano em que se tornou bacharel. Pensa-se que, posteriormente, terá frequentado a Universidade de Alcalá de Henares. Já em Lisboa, foi nomeado, por alvará régio de 16 de Novembro de 1529, cosmógrafo do reino, sendo então admitido, através de concurso para a Universidade de Lisboa (4 de Dezembro de 1529) para leccionar filosofia moral, vindo posteriormente a assegurar também as cadeiras de lógica e metafísica.
Com a transferência da Universidade para Coimbra, em 1537, Pedro Nunes mudou-se também para essa cidade, onde continuaria a leccionar, desta feita a cadeira de matemática que assegurou de 16 de Outubro de 1544 até 4 de Fevereiro de 1562, ano da sua jubilação. Encontramo-lo, a partir de então, mais ligado à cidade de Coimbra, embora em 1572 estivesse de novo em Lisboa, no exercício do seu cargo de cosmógrafo-mor do reino (desde 1547), dando cursos de cosmografia e náutica aos pilotos das carreiras portuguesas.
Pedro Nunes foi, sem dúvida, um competente mestre e um dos grandes expoentes da ciência portuguesa do século XVI. Publicou numerosas obras, como o Tratado da Sphera (1537), um resumo do tratado de Sacrobosco — Astronomici Introductori de Sphaera Epilone; o De Crepusculis (Lisboa, 1542) e o De Arte Navigandi libri duo (1573), entre outros. Foi contudo a obra De Crepusculis, onde descreve a sua descoberta — o nónio — a que lhe valeu maior êxito.