|

Combate Sem Fim aos entreguistas .
Joaquim de Almeida Serra
Da Argentina fui removido para a África do Sul como segundo-secretário, tendo às vezes servido como Encarregado de Negócios do Brasil. Numa dessas ocasiões em que chefiei a missão, recebi a que considero a maior condecoração de minha carreira. Mas o que mais me honrou foi um telegrama do Itamaraty.
Sem aviso prévio, particular ou oficial, viajou para a África do Sul uma equipe de futebol da Portuguesa Santista, para jogar uma partida contra o selecionado de Cape Town. Estava eu na Chancelaria quando da Capitania do Porto me avisaram da chegada da delegação, por navio, e me informaram que os atletas já haviam partido para o local do jogo. Apressei-me o mais que pude e, chegando ao estádio (um campo pequeno, como o do Flamengo dos anos vinte, na rua Paissandu), fui diretamente para o vestiário.
Os atletas já uniformizados preparavam-se para entrar em campo quando uma autoridade local gritou:
“Os três negros não podem jogar!”.
Imediatamente devolvi-lhe o grito, em tom mais alto que o seu: “Pois nenhum jogador entrará em
campo!”. A partida não aconteceu. Temi que as arquibancadas desabassem, o que, graças a Deus, também não aconteceu.
Recebi logo depois telegrama do ltamaraty que dizia haver o presidente Kubitschek ordenando que eu fosse elogiado. A emoção foi redobrada, pois lembrei-me do meu avô paterno, Joaquim Serra, destacado abolicionista e de meus pais, que me educaram.
Houve protestos americanos contra o apartheid. Comparados, entretanto, com aqueles que Washington faz quando em qualquer país da América Latina se ofendem os direitos humanos, o protesto ianque foi fraco, como se o apartheid não fosse uma das maiores agressões possíveis aos direitos do ser humano.
Terminado meu primeiro estágio no exterior, voltei ao Brasil em 1959. Preparava-se a inauguração de
Brasília. Candidatei-me a servir na nova capital e para lá fui, em 21 de abril de 1960, como assessor parlamentar do ministro Horácio Lafer.
Nos primeiros tempos, nenhum Ministério deu a devida importância a Brasília. Do ltamaraty, éramos apenas cinco diplomatas. Das missões estrangeiras,
pouquíssima se deslocaram para lá. Assim, a vida diplomática era, na verdade, no Rio. No meu caso, porém, havia uma diferença. E que o Congresso Nacional trabalhava ativamente e,
como assessor parlamentar, eu vivia muitíssimo mais no Congresso do que no Itamaraty. Apesar de ter verificado a existência de ótimos parlamentares nacionalistas, não havia dúvida que também havia fanáticos entreguistas.
Em 1962 fui removido para Paris como primeiro-secretário da Embaixada do Brasil. Até hoje sonho com a possibilidade de um patriota como De Gualle presidir nossa República. Apesar de sua tola “guerrinha da lagosta”, colocava De Gualle, acima de tudo, o interesse de sua pátria.
Por morte de meu pai, pedi remoção para o Brasil em 1964. Embora fora dos setores políticos, exercendo a Subchefia do Pessoal,
é óbvio - e só um homem nas nuvens poderia negá-lo - percebi que a revolução de 64 teve ingerência americana.
Em 1966 fui removido para o Panamá como Conselheiro da Embaixada do Brasil. Qualquer secundarista sabe que o Panamá foi fundado como resultado do conluio de entreguistas colombianos com imperialista ianques. E este exemplo que me aterroriza quando penso na Amazônia, no Pantanal, nas Minas Gerais, Goiás etc, cobiçados pelos EUA e pelo G-7.
Após estágio no Panamá, fui removido para o Chile, como ministro-conselheiro. Governava o país Salvador Allende. Em que pesem seus erros, caberia aos chilenos julgá-lo. Entretanto, o golpe que o derrubou foi fomentado por Washington, em absurda violação do Direito Internacional.
Do Chile passei à Coréia do Sul, já como Embaixador. Todos sabem que aquela península
foi dividida entre imperialistas ianques e a extrema esquerda do Oriente. O sul ficou com os imperialistas ianques que, se não instituíram uma zona sua, como no Panamá, mantêm quartéis, tropas, armas e tudo o mais na simpática terra em que vivi por três anos e onde deixei muitos amigos.
Da Coréia do Sul passei ao Zaire. Coitado do Zaire! Riquíssimo em recursos naturais raros, preciosos e estratégicos, e todavia paupérrimo. Isso porque os imperialistas de várias épocas - belgas, franceses, americanos e outros - exploram e
espoliam o país. No Zaire, ao haver completado 60 anos, fui aposentado por limite de idade.
Já com 66 anos fui nomeado chefe de uma repartição consular do Brasil no Japão, o Vice-Consulado em Kobe. A impressão maior que me ficou do Japão foi a mágoa, que julgo não desaparecerá nunca, pelo brutal ataque atômico a
Nagasaki e Hiroshima, aliás, cidades em que eu era autoridade consular também. Todos acham que, estando o Japão
em sondagens de desumano.
Vários artigos meus têm sido transcritos em órgãos castrenses, como a “Revistado Clube Militar”.
“O Farol”, etc, o que faz pensar estarem muitos militares de acordo com seus textos.
A Ativa das Forças Armadas, devido aos rígidos regulamentos militares, tem que se abster de pronunciamentos políticos
( Coisa que poderia ser mais adequada à
Realidade , Democracia , Deveres_Direitos e Liberdades ). Não creio, entretanto, que essa limitação deva se
estender aos assuntos sobre a soberania nacional (
O que pelo Bom Senso faz-se clamar que se declarem as violações por Força da
Profissão , à qual título é orientador da Ideologia básica Defender a
Pátria = POVO + TERRITÓRIO ) . Já a Reserva, que não mais está sujeita às rígidas prescrições dos regulamentos da Ativa, tem seus órgãos, como aqueles já citados. Creio ser importantíssima, nessa luta sem trégua
contra os entreguistas, a colaboração da Reserva ( mesmo que os mais aptos e
atualizados pelo convívio diário e flor das atividades estejam na ativa , que
deve contar com a experiência da reserva_ativa). Aliás, ela está magnificamente representada nessa luta. Citarei apenas três nomes, um de cada Força; de oficiais-generais que nos dão, todos os dias, exemplos do mais nobre patriotismo o desejo de uma pátria livre e soberana: Tasso Villar de Aquino, Sérgio Vasquez de Aquino e Oswaldo Terra de Faria. Poderia apresentar páginas com nomes de oficiais das Forças Armadas da Reserva que pela imprensa nos dão magníficos exemplos de preocupação com a ameaçada soberania da Pátria.
Muitos outros, ainda, nos animam nessa luta. Em 21/1/2000, por exemplo, a ‘TRIBUNA DA IMPRENSA” publicOU belo artigo de Aldo Alvim, Coronel da Aeronáutica. Vale a pena citar um trecho do mesmo, “Os caminhos do golpe de estado”: “O objetivo de tudo isto... castrar todo e qualquer poder do Estado Nacional Soberano e assim poder esfacelar o território brasileiro, em especial a Amazônia, cuja cobiça vem se acentuando”. Continua Aldo Alvim: “O segundo round de provocações (...) é a designação do Advogado Geral da União como Ministro da Defesa. Para quem não sabe, ele é o responsável pelo parecer favorável
da venda de aviões da Embraer ao controle de uma empresa estrangeira, uma venda que estava sendo desaconselhada pelo então Comandante da Aeronáutica como indesejável para a segurança nacional.
Que os inúmeros oficiais da Reserva das Forças Armadas brasileiras adotem a posição dos ilustres nomes acima citados. Que escrevam, que gritem!
Joaquim de Almeida Serra é diplomata aposentado
TRIBUNA
da imprensa
Editado por S.A. Tribuna da Imprensa
Redaç5o, Administração e Oficina
Rua do Lavradio, 98
lei.: 224-0837- Telex (021) 34553 GEAN BR Telefax (021) 252-9975
http://www.tribuna.inf.br
e-mail: tribuna@tribuna.inf.br